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15/10/2009

Cap. 1

- Nada é pra nada nessa vida.

Eu não sabia bem sobre o quê estava falando, só tinha certeza que ela não queria me ouvir. Estava de costas pra mim, com as mãos na cintura, e balançava a cabeça lentamente; eu não a interessava naquele momento.

- Essas filosofias fofinhas que você PENSA que são verdade, são mentiras, é tudo idiotice, Gustavo. Sua mãe devia falar essas besteiras quando você era criança, pra você não conhecer o mundo real, não saber que a sua felicidade não interessa a ninguém.

Sara sentou-se no sofá, enfiou a mão entre os joelhos e olhou fixamente pra mim, mas não parecia me enxergar. Então se levantou de novo bruscamente, suspirou e se dirigiu até a porta.

-  Olha, eu sei que eu to um lixo hoje...mas não sei se eu vou melhorar. Eu não quero ficar te enchendo a cabeça com todo meu mau-humor. Qualquer coisa me liga, tá? Eu vou tentar melhorar. Mas se você não ligar também, eu entendo.

Então Sara desapareceu pela vida. Eu não agüentaria ficar muito tempo sem ligar pra ela, só queria ter uma solução, queria ajudá-la.

Eu não podia me colocar no lugar dela, nunca havia sofrido nem metade do quê ela estava sofrendo agora. Meus pais nunca quiseram se divorciar ( o que é uma raridade no dia de hoje), eu nunca havia passado por dificuldades financeiras e eu nunca tive que ficar implorando para meus familiares um lugar para morar, porque meus pais não me queriam com eles.

Mas atrás de toda aquela amargura, de todo aquele pessimismo, eu ainda podia ver a garota por quem eu era apaixonado desde a terceira série. Deitado na minha cama de casal, – que eu nunca havia dividido com ninguém – eu tomei uma resolução: eu não iria perdê-la daquele jeito. Eu faria de TUDO para faze-la feliz. 


Escrito por Gustavo às 17h02
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